Emulação, o inicio do Retrogaming.

No longiquo ano de 1997/1998, numa terra muito, muito distante, um garoto com um pouco mais de 14 anos havia descoberto através de uma revista de jogos eletrônicos de computadores, da Editora Europa, que era possível, a partir de alguns programas e arquivos, jogar os seus consoles preferidos no conforto da sua casa e na frente do seu computador. E, assim, para ele, começou o retrogaming…

 

Sim, foi desta maneira que eu começou a emular os meus consoles preferidos, o Mega Drive – claro -, o Super Nintendo e o Nintendinho, no meu computador de uma forma que nunca iria imaginar que fosse possível acontecer nos anos anteriores. Qual foi a minha surpresa que uma revista da Editora Europa – desta vez eu não me lembro da capa -, havia feito uma reportagem sobre emulação e eu, encafifado, fiquei lendo para entender o conceito.

Nesta época em questão os consoles Sega Saturno e PlayStation já haviam saído, mas eu, reles mortal, só tinha grana – minha mãe, na verdade – para possuir um PC e não é que foi por causa dela que a minha animação para com os jogos voltou… porque? Simples, porque todos os jogos que eu não podia ter com o meu Megão II da TecToy velho de guerra em formato cartucho, poderia tê-los ali no meu gigantesco HD de 540 MB na forma de arquivos .bin, .nes e .smc, onde eu podia, no DOS, rodar os maravilhosos e míticos emuladores. E o ciclo do vicio recomeçou novamente.

O que é Retrogaming

Mas, alguns devem se perguntar, por que você diz que a emulação é o começo do retrogaming? E eu lhes respondo com uma explicação que copio diretamente de um fórum de Portugal.

Como o nome indica “retro” ( do passado,antigo) , “gaming” (jogar), é isso mesmo jogos do passado, há uns quantos amantes de jogos antigos e de consolas antigas.

E com esta pequena explicação, consoles como Mega Drive, Super Nintendo, Master e o Nintendinho, à época, já poderiam ser considerados antigos e, consequentemente, os gamers que já os tinham eram, de forma indireta, retrogamers.

Mas a minha ideia sobre retrogaming, apesar de ser igual em pensamento, vai um pouco mais além, focando no ponto inicial da popularização da emulação que permitiu que a geração PSX/PS2 tivesse em mãos, ou, na verdade, no teclado de seus pcs, a capacidade de jogar games mais antigos que eles e, assim, criando um provável mercado consumidor ávido por artigos antigos.

Minha primeira vítima de emulação!

Emulação, porque ela seria o inicio?

Como eu havia dito acima, por causa do fácil acesso que os PC Gamers obtiveram com os jogos antigos. Com isto em prática, uma cultura completamente nova do culto ao antigo atingiu patamares nunca visto antes. Claro que precisou, antes de mais nada, de duas gerações inteiras para que o movimento tivesse massa o suficiente para estourar na geração atual.

A emulação, que para mim vem desde os seus primórdios, conseguiu um feito notável que nenhuma outra empresa na área gaming conseguiu fazê-lo de uma forma louvável e sem gastar nada, que foi a procura por games obscuros e a tradução de jogos japoneses por grupos independentes, assim, gerando um círculo virtuoso na reprodução de jogos que já haviam exaurido os seus health points num mercado atolado de continuações.

A partir deste pequeno programa, toda a minha visão gamer mudou!

Reprodução de jogos? Perguntam-me. E eu respondo de uma forma bem sucinta. Vários jogos que foram lançados tão somente no Japão ganharam uma nova visibilidade porque começaram a ser traduzidos e, assim, gamers americanos, brasileiros, europeus e de outros lugares continentais, puderam se extasiar com obras-primas como Final Fantasy VI, Tales of Phantasia, Star Ocean, Phantasy Star para o Game Gear, Seiken Densetsu, Final Frontier e tantos outros – é, a minha lista é um tanto fail, só tem rpg! – que ao serem postos na internet pelos grupos de tradução, fizeram a alegria de muita gente.

E a massa começou a ficar mais gordinha aqui.

CBT, colocando o BR em games.

Qual é o sonho de qualquer gamer brasileiro? Ter lançamentos simultaneos de outros países aqui a preços em conta. E, secundariamente, para os gamers que pouco sabem inglês, jogos em completo PT-BR e foi com o grupo CBT – Central Brasileira de Traduções – que vários jogos ganharam a sua versão brasileira e ajudou a criar uma comunidade de emulação forte no Brasil e isto, de certa forma, deu um pouco mais de massa no retrogaming, porque, antes jogos limitados de aventura ou ação, os RPG’s, que tem grande apelo no mercado, foram jogados em massa e tornou tudo ainda mais vistoso.

Não tenho dúvidas que o Final Fantasy Anthology para o PSX foi lançado porque havia uma enorme quantidade de pessoas jogando FF IV e V na forma de emulação e isto despertou os olhos grandes da Square.

De tal forma que muitos outros grupos de tradução começaram a aparecer no Brasil, o que ajudou ainda mais no movimento retrogamer.

Final Fantasy 7, nos anos 2000 ganhou uma tradução PT-BR

E aonde você quer chegar depois dessa enrolação toda?

Quero chegar até aqui. No exato momento onde nós estamos agora. O que você, leitor da Blast Processing, vê? Um culto enorme do passado e, para os gamers em particular, ao retrogaming, jogos do PSX, Saturno, 3DO, Mega, Super, estão sendo tratados como verdadeiras reliquias, a tal ponto que muitos deles estão sendo relançados nos mais diversos formatados e maneiras. Muitas vezes ganhando requintes HD ou 3D ou, até mesmo, os dois, outras apenas sendo relançados da forma que foram concebidos.

E temos várias provas disto com vários clássicos da SEGA sendo relançados na Live e na PSN, outros tendo continuações dentro destas mesmas redes e encontros retrogamers acontecendo em todos os lugares do mundo. E isto é um longo caminho percorrido e promete aumentar ainda mais, porque os antigos gamers, agora são consumidores com dinheiro no bolso e o que eles querem é consumir… e isto é algo que as empresas de games tem de abrir realmente os olhos!

E pensar que, a quase 14 anos atrás eu comemorava em jogar Chrono Trigger a 12 fps no meu 486 DX2 66 Mhz… aonde iremos parar?

About these ads

5 comentários em “Emulação, o inicio do Retrogaming.

  1. Pra mim a experiência definitiva ainda é jogar no console, reproduz uma realidade e emoção que um pc não consegue passar. Mas é um tanto difícil imaginar a dimensão do que a emulação fez ao universo retrogamer (e continua fazendo emulando consoles mais novos).
    Justamente em uma época que os lançamentos da era 16 bits estavam sendo descontinuados, a emulação, aos poucos, foi relembrando como é valioso a experiência, ou seja, a emulação deu nova notabilidade aos jogos antigos, e a medida do tempo ficaram tão notáveis como os lançamentos (graças também ao trabalho de grupos de tradução, que expandiu o número de títulos que ficaram la fora)
    Emulação foi essencial, e como dito, finalmente alcançou a atenção que precisava, das empresas e produtoras que estão relançando alguns títulos, e que venham mais outros.

    • Perfeito em dizer isso, o problema é que muitos não tem acesso aos consoles antigos, e se faz necessário a emulação…

      Agora jogar no videogame é uma experiência completamente diferente, neste caso, a emulação ajuda a atiçar a vontade de conhecer o console em si!

  2. Nessa época, 1998, eu ainda tinha vários consoles, dentre eles um mega com o sega CD e SNES, sem contar os “atuais” PS1, saturn, N64 e neo geo CD, e ainda tinha muitas fitas dos consoles mais antigos.

    Em 2000 peguei meu primeiro DC, muito mais avançado do que os outros consoles, derepente todos eles ficaram sem graça, e começei a me desfazer de todos eles. No final de 2001 me desfiz do DC também, estava fanático na igreja e quase fiquei sem videogame. Fiquei só com o PS1 e N64.

    Só na virada de 2003 pra 2004 quando conheci a minha esposa e fui morar com ela é que começai a usar PC pra valer de descobri a emulação, foi quando tive a oportunidade de conhecer jogos que não consegui alugar nas locadoras e videogames raros no brasil como o turbografx 16, sem contar s versões de arcade de muitos jogos no mame.

    Em 2005 peguei um dreamcast de novo, e por algum tempo foi o meu principal videogame, e só usava ele pra emular um monte de videogames antigos, pois o DC faz isso muito bem, melhor que o PS2.

    Em 2008 voltei a comprar consoles antigos, e hoje tenho quase todos os principais videogames, todos cheio de fitas, emulador não uso mais.

  3. Comprei um PSPe o primeiro jogo que vou zerar nele é… QuackShot :D

    Os emuladores são uma dádiva mesmo. Pena que é cada vez mais dificil emular. As roms são muitas vezes a única maneira de jogar um game que não se encontra fácil por aí. Acho que pelo menos uns 50%da minha paixão por games se deve aos ótimos momentos que tive emulando jogos no PC, Dingoo, DS, PSP, PS2… O cenário homebrew é um fator que eu sempre levo em conta na hora de comprar um console.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s