O mundo mágico de Walt Disney

Visitem o novo site da Comunidade Mega Drive e vejam essa postagem, dentre outras muitas inéditas, por lá:

http://www.comunidademegadrive.com.br

Qualquer um que veja os jogos baseados em personagens de desenhos animados e filmes infantis nos dias de hoje fica com dó da pobre criança que o receberá de presente do seu pai desavisado. Afinal, a maioria desses títulos não passa de caça-níqueis bem sem-vergonhas. Contudo, nem sempre foi assim.

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Houve uma época em que jogos estrelados por personagens como Mickey, Donald, Pateta ou o Tio Patinhas eram sinônimos da mais alta qualidade. Nos anos 90, a Disney licenciava suas franquias para gigantes como a SEGA e a Capcom (responsável pelas versões Nintendo). E, por conta disso, dava para alugar sem medo um jogo dela (com exceção do infame Fantasia, claro).

Já que esse é um blog de Mega Drive, esse artigo falará sobre a parceria entre a SEGA e a Disney. Ela foi muito mais vital para o sucesso do console do que se pensa.

A decisão de firmar parceria com a Disney

Em 1989, a SEGA corria para lançar o Genesis (versão americana do Mega Drive) a tempo. Seu foco inicial era o público formado por adolescentes e jovens adultos. Ou seja, aqueles que cresceram nas casas de fliperama e estavam dispostos a gastar um pouco a mais para ter o melhor da tecnologia nas suas casas.

Por conta disso, a maior parte dos jogos do primeiro lote do Mega Drive era composta por jogos de ação e esporte. Eram muitas as conversões de sucessos do fliperama (de Golden Axe a Ghouls ‘n Ghosts) e de computador (vários clássicos do Commodore Amiga saíram para o console da SEGA). Porém, vale lembrar, os videogames ainda eram considerados brinquedos na época. E ninguém era  louco de ignorar totalmente o público infantil.

Para a SEGA, nada era mais difícil do que criar algo que apelasse à criançada. Vale lembrar que, entre 1989 e 1990, Mario era o personagem da moda. Uma pesquisa realizada entre os meninos de até 7 anos na época colocou o bigodudo da Nintendo no 1º lugar dentre os personagens mais populares. Caixas de cereal, desenhos animados, lancheiras, cadernos, bonecos e, claro, jogos de videogame que estrelassem Mario eram, praticamente, lucro garantido para seus fabricantes.

Nintendo Cereal System – O “Sucrilhos” do Mario

Como concorrer com a Nintendo pelos corações e mentes desse público? Uma alternativa era criar um personagem novo que pudesse competir pela atenção da molecada. Contudo, isso demandava investimento e pesquisa. E nem assim, havia a garantia de que nova franquia faria sucesso. Isso não intimidaria a SEGA, que já dava seus primeiros passos no “projeto Sonic”.

Primeiros esboços de Sonic

Porém, o jogo do ouriço azul (não, ele não era nem nunca foi “porco-espinho”) ainda estava no papel e precisaria de pelo menos mais 2 anos de desenvolvimento para dar o ar de sua graça. Era necessário ter outra carta na manga caso a SEGA quisesse rivalizar com a Nintendo entre 1990 e 1991.

Embora céticos a primeiro momento, os executivos japoneses da SEGA aceitaram, a muito custo, despejar milhões de dólares na conta da Disney pelo licenciamento de seus personagens. Não era comum, no Japão, se gastar tanto dinheiro apenas pelos direitos de uso de uma franquia. Porém, se havia alguém que poderia competir com Mario nos Estados Unidos, esse alguém era Mickey Mouse.

Mickey Mouse, criado em 1929 por Walt Disney

A parceria foi bem próxima. Equipes de animadores da Disney coordenaram o trabalho do melhor time de programadores da SEGA na época para conceber Castle of Illusion. Exclusivo para Mega Drive e exibindo todo o potencial gráfico e sonoro de um console de 16 bits, o jogo foi sucesso absoluto. Foi o cartucho mais vendido do console na temporada de festas de 1990 e colaborou bastante para aumentar a base instalada do Genesis na América e na Europa.

Castle of Illusion (SEGA, 1990)

A SEGA conseguia um feito inacreditável: vencer a Nintendo no mesmo ano em que a concorrente lançava o arrasa-quarteirões Super Mario Bros. 3. E, podem acreditar, isso não era tarefa pequena.

As lições do fracasso de Fantasia

Infogrames, estúdio francês (atualmente, Atari)

O sucesso do primeiro jogo estrelado por Mickey Mouse motivou a SEGA a seguir em frente. Como os estúdios japoneses estavam ocupados com outros projetos, tomou-se a decisão de terceirizar a produção de Fantasia, entregue aos franceses da Infogrames.

À primeira vista, parecia que seria mais um grande título. Os gráficos mostravam todo o poder console e as promessas eram gigantescas. Nunca antes um hype tão grande havia sido criado em torno de um jogo do Mega Drive. A revista brasileira Supergame, por exemplo, fez um preview de 4 páginas com o jogo, com direito ao status de matéria de capa.

Porém, nem tudo ia bem. A SEGA of America queria o lançamento do jogo o quanto antes. Uma pressão enorme foi colocada sobre os desenvolvedores, obrigados a finalizar o jogo em pouco mais de 6 meses, em tempos onde a média ficava entre 12 e 18 meses. Isso aliado ao fato de que Fantasia não estava sendo desenvolvido internamente pelos grandes nomes da empresa só poderia acabar mal. Como acabou acontecendo: Fantasia foi lançado repleto de bugs, problemas na jogabilidade e um nível de dificuldade muito frustrante para seu público-alvo de 6 a 12 anos.

Pior: Roy Disney só descobriu que sua companhia havia licenciado Fantasia para a SEGA quando o jogo estava para ser lançado. Isso não o deixou nada feliz. Por muito pouco, o projeto não foi abortado no meio do caminho. O que talvez poderia ter sido a melhor coisa. Que digam as pobres crianças que compraram esse jogo sem testá-lo antes. Afinal, não era possível que Fantasia não fosse tão bom ou melhor que Castle of Illusion. Pois é…

Fantasia (SEGA, 1991)

Quackshot e World of Illusion

1991 foi o grande ano da SEGA. Vários dos principais clássicos do console seriam lançados nesse ano. ToeJam & Earl, Streets of Rage e, claro, Sonic the Hedgehog encheriam os cofres da empresa de dólares. Nem o lançamento do Super Nintendo abalaria as vendagens do Genesis. A participação da SEGA no mercado de videogames ampliou-se de 5 para 65% em apenas 3 anos.

Quackshot (1991), capa da versão brasileira

O terceiro jogo a sair do acordo com a Disney estrelaria outro personagem bastante conhecido do público infanto-juvenil: o pato Donald. Quackshot seria lançado no mesmo ano e incluiria elementos de jogos de aventura, como a necessidade da coleta de certos itens e melhoramentos para avançar em partes específicas do jogo. Bastante elogiado pela crítica e sucesso de público na época, serviu para salvar a reputação da parceria.

Com o grande sucesso de Sonic, o contrato da Disney começava a deixar de ser tão interessante assim. Em 1992, World of Illusion seria o último jogo a sair dessa parceria. Estrelado por Mickey e Donald, o jogo apresentava fases e desafios diferentes para cada um dos personagens. Além de um modo cooperativo para 2 jogadores que é uma das melhores experiências do gênero disponíveis para o console.

World of Illusion (SEGA, 1992)

O sucesso de Aladdin e o fim da parceria

Para a Disney, contudo, início da década de 90 não poderia ter sido melhor. Animações como A Pequena Sereia (1989), A Bela e a Fera (1991) e Aladdin (1992) foram recebidas com aplausos entusiásticos por todos os fãs do cinema. Boa parte das crianças que viveram aquela época sabem de cor as músicas dos filmes. Os estúdios de Walt Disney vivam seu melhor momento desde os distantes anos 60.

Como a SEGA detinha todas as licenças de personagens e filmes para seus consoles, comissionou The Little Mermaid e Beauty and the Beast para outros estúdios, alcançado resultado, no máximo, razoável. Aladdin, contudo, teria muito melhor sorte.

David Perry era, na época, um dos melhores programadores dos estúdios da Virgin Games. Com grande interesse em animação, ele já contava, no seu currículo, com o excelente Cool Spot, uma das grandes surpresas do catálogo de jogos de Mega Drive lançados em 1991. Horas eram perdidas para incluir mais quadros de animação, criar efeitos considerados “impossíveis” pelos colegas, tudo em nome do amor pela arte dos videogames.

A Virgin Games recebeu da SEGA, em 1992, a tarefa de criar um jogo baseado no grande sucesso Aladdin. E tinha de ser feito o quanto antes, para aproveitar o lançamento do filme no formato VHS. A equipe de Perry abraçou o projeto e o fez com maestria.

Aladdin, quando lançado em 1993 para o Mega Drive, mostrou todo o poder do console em processar animações. Os personagens se movem com uma fluidez nunca antes vista. Além de gráficos maravilhosos, a jogabilidade é bem responsiva e a trilha sonora conta com todas as canções do filme.

Aladdin (SEGA e Virgin, 1993)

Quem comparasse a versão de Aladdin lançada para o Mega Drive com a desenvolvida pela competente Capcom para o Super Nintendo se assombrava. A diferença era tão grande – e tão favorável à cria da Virgin Games – que a própria Disney faria um contrato com eles para o jogo baseado em sua próxima franquia, O Rei Leão. Esse jogo seria o primeiro multiplataforma com os personagens da companhia. Chegava ao fim a era dos contratos separados para cada um dos consoles.

Terminava assim o contrato entre SEGA e Disney. Uma parceria que foi fantástica para ambas as empresas e que nos trouxe clássicos como Castle of Illusion e Quackshot. E que mostrou que o Mega Drive não era, apenas, a melhor opção para os crescidinhos. A criançada também se divertiu bastante com o sistema. Nunca em sua história, a Nintendo tinha “comido tanta poeira” como no período entre 1989 e 1993 (antes da geração Playstation, claro).

Outros jogos com personagens Disney seriam lançados para o console de 16 bits da SEGA. Alguns bem medianos, como Pocahontas ou Gargoyles. Outros, porém, com uma qualidade que rivalizava com a dos grandes clássicos, como Mickey Mania, da Sony Imagesoft (sim, a Sony lançou jogos para o Mega!) ou Donald Duck in Maui Mallard. Atualmente, o camundongo da Disney vive de raros lampejos como o recente Epic Mickey. Tristes tempos.

Originalmente postado por Rafa Malaman (WikiRafa) 29/04/2011

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6 comentários em “O mundo mágico de Walt Disney

  1. “Nunca em sua história, a Nintendo tinha “comido tanta poeira” como no período entre 1989 e 1993 (antes da geração Playstation, claro).”

    PS: Esqueceu-se de falar que em 1994, a Nintendo deu o troco com dois jogos cabais, como Donkey Kong Country e a versão de Mortal Kombat II para SNES, sendo bastante superior a do Mega. A partir de 1994 a 1997, o Mega comeu poeira, e a SEGA comeu barro estragado com seu SEGA Saturn, apanhando para o Plastation.

    • A Nintendo agiu bem a partir de 1994. Enquanto a SEGA fazia o possível pra matar o Mega Drive ao investir naquele engodo que foi o 32X, o Super Nintendo ganharia a maior parte dos seus grandes clássicos entre 1994 e 1996: Donkey Kong Country (os 3), Yoshi’s Island, Super Mario RPG, Chrono Trigger, dentre outros.

      Minha postagem se limita a falar sobre a situação no mercado americano entre 1989 e 1993. Foi aí que a SEGA virou um jogo praticamente perdido. Acabou apanhando depois, mas, fazer o quê?

  2. “Minha postagem se limita a falar sobre a situação no mercado americano entre 1989 e 1993. Foi aí que a SEGA virou um jogo praticamente perdido. Acabou apanhando depois, mas, fazer o quê?”

    Com certeza cumpade, pois não discordo de você que no mercado americano de 1989 até 1993, a SEGA estava mais forte que o SNES, pq Strider, Sonic 1 e 2, Mercs, Collums, Streets of Rage, rendiam muito mais vendas do que Super Mario World, Final Fight 1 e 2, Doom Troppers, Actraiser no mercado americano. Sem falar que aqui no Brasil, a Tec toy disparava com um suporte que deixava o Mega Drive como o console preferido da galera no Brasil, ainda com jogos feitos aqui como Taz-Mania, Ayrton Senna Monaco’s GP!

    Uma pena que a partir de 1994, a SEGA começou com sua série de cagadas para chegar no estado que está hoje!!

  3. Interessante que sempre que há alguma matéria engrandecendo os jogos do Mega, haverá um ser inferior a falar mal e tentar sobrepor a matéria em questão com dizeres vazios e fora do foco. E é claro, com português crasso.
    O Mega fez bonito demais com seus jogos da Disney, foram clássicos de toda uma geração, ficarão tatuados para sempre nos corações de milhares de pessoas.

    Parabéns pela bela matéria.

    • Mais do que isso, o problema são os istas de plantão. Se alguém falar muito bem do SNES, certeza vai aparecer seguistas falando mal.

  4. Caro Daniel, eu falo mesmo bem do SNES, sou Nintendista. Só que curto jogos do Mega Drive, e curto o Mega Drive, a ponto de querer um Sega CD pra mim. Seguista aqui é comum sim, falando mal do SNES, até pq aqui é a CASA DA SEGA com o SEU MELHOR CONSOLE de ASSUNTO, o MEGA DRIVE!!!

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