Quando não eramos tratados como idiotas.

Foi-se o tempo no qual eu pegava um jogo e simplesmente começava a jogar. Hoje em dia é impressionante a quantidade de jogos que saem para quaisquer sistemas que nos obriga, quase que automaticamente, a passar por uma fase de tutorial. Quando é que os jogadores ficaram burros?

Nos Tempos Idos

Desde que eu me lembre como jogador, nunca precisei de tutorial para saber como se joga um game. Para mim era só sentar a bunda na cadeira/sofá, colocar o cartucho no console e partir para o abraço. Não sei para que serve aquele item? Tirava a dúvida na mesma hora, usando-o. Não sei como mata aquele carinha ali em cima de uma plataforma flutuante impossível de alcançar? Procuro um ítem que, logicamente, iria me levar aquele lugar.

Estas eram as formas mais inteligentes, para mim como jogador, para entender como funcionava o universo daquele jogo em particular. Simplesmente seguiria os passos de aprendizagem do jogo, que estariam embutidos de uma forma inteligente no mundo do mesmo, até que eu me tornasse mais um que aprendeu a jogá-lo com destreza e sem me preocupar em ir atrás de manual de instruções para saber como usa o pulo do jogo.

Até o início da era PSX, os jogos não nos tratavam como gente ignorante, estúpida e que não sabia entender nada sobre o jogo. Mas será que foi isso que realmente aconteceu? Será culpa das empresas, ou são os jogadores, ou, melhor ainda, os jogos?

Meia-lua para frente depois A+B+C para pular pro lado.

Complexidade. Esta é a palavra-chave para o caso dos jogos atuais. Muitos deles tem um verdadeiro manancial de controles, botões e combinações a serem feitos pelos jogadores para que, assim, possa jogar uma partida ou começar o jogo de forma adequada. É impressionante a quantidade de movimentos que jogos como God of War ou Metal Gear Solid: Snake Eater são necessários para que o jogador seja bem-sucedido em, apenas, começar o jogo.

Tutorial para saber pular no jogo... tá de brinks né SEGA?

A jogabilidade se tornando complexa, pelo visto, se faz necessário a criação de um passo-a-passo para que o jogador possa entender o que fazer quando um inimigo atira diretamente no seu peito uma granada flamejante. É segurar R3+L1 e apertar repetidas vezes o Triângulo. Claro, estes são casos esdruxulos nos quais as empresas criam situações que precisamos fazer tais movimentos. Mas será que precisamos de tanto?

Creio que seja possível a junção entre uma jogabilidade complexa e casual sem interferir diretamente na imersão do gamer sobre um jogo, mas, pelo visto, as atuais empresas – e as antigas também – não estão se dando o trabalho para dar o menor trabalho ao jogador de compreender a mecânica de um jogo. Antes um simples para frente e A possibilitava um personagem pular ou bater em alguém e um para baixo e qualquer botão do controle fazer um SpinDash de um outro para seguir em alta velocidade na fase.

Então veio o Wii e mudou toda a história do jogo.

Casual Gameplay vs Complex Gameplay

O Wii simplificou tudo. Mova o controle e o seu personagem vai fazer tal movimento. Aperte um dos poucos botões no Wiimote ou no Nunchuk e as ações serão feitas com relativo sucesso. A simplificação de movimentações foi uma das coisas boas no Nintendo Wii, mas, também, simplificou, e muito, a jogabilidade dos gamers em seus jogos. O hardcore gaming, para a Nintendo, foi para o espaço.

Simplificação é tudo no Wii

Em contrapartida, no x360, PS3, PSP e PC, os jogos foram se tornando cada vez mais complexos, um exemplo disso, são os FPs que estão com tantos comandos e botões que daqui a pouco teremos uma extensão do teclado somente para poder jogar um Crysis 3!

Qual é o melhor caminho para se seguir? Simplificar os controles? Deixá-los mais complexos? Ou um mister dos dois?

O mistério da jogabilidade.

Tem-se de arrumar um meio-termo. Ou melhor. Uma opção para desligar os tutoriais de controles. Eu, como gamer, me sinto insultado quando vejo um tutorial a minha frente. Coisa que eu nunca precisou quando joguei DOOM, SimCity, Resident Evil, Silent Hill, Tomb Raider, Gran Turismo, Need For Speed, Sonic, Mario e outros jogos, pois era só fazer o que tinha de ser feito, jogar.

Talvez a culpa seja dos jogadores, com preguiça de saber como mexer de verdade o seu personagem ou das empresas que deixaram os jogos por demais complexos. O importante é que nada está sendo feito para resolver esta situação, chegando ao ponto de dois extremos existirem nos jogos atuais.

Mas a única coisa que eu peço é não ser tratado como idiota. E para vocês, o que acham deste derrame de tutoriais a torto e direito nos atuais jogos?

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15 comentários em “Quando não eramos tratados como idiotas.

  1. Realmente existem uns jogos que abusam. Eu lembro quando saiu o jogo Driver, para PC, nele tínhamos que passar por uma fase de “treino” antes de começar a jogar. Você tinha que fazer várias manobras com o carro dentro de um estacionamento para poder começar a jogar; caso você falhasse você não poderia começar o jogo. Parace piada né? Por sorte havia na internet um crack que permitia que você começasse a jogar sem ter que passar por isso.

    Eu entendo que alguns jogos justifiquem seus tutoriais para jogadores que nunca jogaram aquele tipo de gênero antes, como os de estratégia, alguns até permitem que você lige/desligue o tutorial ou possuem uma fase separada justamente para isso. Mas, acho que hoje em dia os fabricantes de jogos e jogadores achem que jogo bom tem que ser difícil de jogar, assim como precisa ter gráficos espetaculares. Antigamente não era bem assim.

  2. Eu vejo isso como uma falha de game design, os jogos antigos tinham muito do lema “fácil de aprender, difícil de dominar”, você conseguia se divertir e terminar o jogo sem precisar saber tudo dele, ae rolava aquele desafio de vasculhar cada canto do jogo, a curva de aprendizado era bem mais suave e os jogos eram feitos para durar mais. Hoje como a idéia é que o jogo dure pouco para que você possa comprar o próximo, querem que você saiba tudo desde o começo para não precisar repetir o jogo depois, ae você tem uma curva de aprendizado insana e surge a necessidade de um tutorial.

  3. Eu acho que você está exagerando. Existem vários tipos de jogos, simples e complexos ainda e como há 20 anos atrás, hoje em dia, você ainda pode escolher jogar os que gosta e evitar os que não gosta. Já existiam jogos complexos antigamente, porém em menos número, mas um jogo que eu levei tempo para entender do que se tratava era o Populous, da EA ou Bullfrog pro mega drive… um tutorial seria bem vindo. Mas realmente… a maioria dos jogos que tem tutoriais não precisam para players antigos, mas o objetivo desses são os noobs que nunca jogaram, tanto é que qse todos tutoriais pra jogos são “skipáveis”.

    • Sim, posso estar exagerando um pouco, mas, creio eu, seja fato que o indice de tutoriais por jogo vem aumento de forma alarmante.

  4. Na minha opinião os tutoriais são bem vindos em casos bem isolados, e seguindo um contexto no jogo, por exemplo, aplicar o tutorial In-Game, apenas mostrando os comandos simples e vitais (Tipo Prince Of Persia e Ratchet And Clank) e cabe ao jogador descobrir o resto, verdade é que quando começa um tutorial (Sem Skip) digamos que a pessoa até aceita de bom grado as instruções, mas em boa parte, passa pela cabeça a sensação de ter a inteligência insultada, ainda por cima quando é mal empregado no jogo, como alguns RPGs que dispensam o prólogo pra aplicar tutoriais sobre Attack, Defense, Menus, etc., coisa que todo mundo já ta cansado de saber. É importante mostrar a mecânica do jogo, mas sem voltar tanto ao básico, acho que isso tornaria os tutoriais mais rápidos e dinâmicos, afinal ninguém quer perder tempo em um tutorial que não vai acrescentar nada ao Save.
    Tutoriais são tão importantes assim? Pra mim nem tanto, mas prefiro que eles fossem movidos para os menu principal (Megaman X5) ou informações adicionais em menus In-Game (Ratchet And Clank, Jak), para não fazer parte do jogo em si tão diretamente.
    Além do mais eu sei que é melhor aprender jogando, mas os jogos originais possuem manuais para auxiliar o jogador.

  5. Tem alguns casos opostos e específicos que valem notar:

    -Metal Gear Solid:
    É um dos jogos, se não O jogo, com o maior número de usos possíveis de um controller, e pouco tinha em tutorial (que eu lembre, NÃO tinha). Se o player quisesse saber algo, tinha uma documentação, mas nada DENTRO do jogo pra quebrar a experiência.

    -Portal:
    Nesse caso é tão incrível que quase ninguém percebe, mas ambos os jogos são 99% tutorial. A proposta da série é constantemente desafiar o jogador a aprender algo novo, e não apenas usar o aprendido no nível um com maior rapidez, ou dificuldade.

    A questão “tutorial É bom ou ruim?” ponho como inválida, a questão que sugiro é “o tutorial ESTÁ bom ou ruim?”.
    Não há problema em TER um tutorial, mas deve-se SABER usá-lo. Se a experiência é interrompida, arrastada ou “quebra o fourth wall”, está errado. Voltando à Portal, a Valve usou um sistema de aprendizagem que, não só faz certo, AUMENTA a imersão no ambiente, através das histórias contadas pelos personagens que “ops! Por acaso ensinei algo!”

    Portal (1,2) é minha sugestão à qualquer um procurando um novo método de ensino.

    A série “Extra Credits” já tratou vários aspectos dos Jogos na Educação, segue o vídeo deles sobre “Tutoriais”

    Enjoy, Eniac out 😉

  6. Grande Daniel, bem apontado! Um exemplo interessante também é do NBA 2k9. Meu Deus, o jogo é ótimo mas o tutorial… é praticamente aprender basquete por inteiro, você desanima e tenta ir logo pro jogo mesmo, aprender como nos tempos de locadora… apertando! Lembro que, na hora que joguei, deu saudade do nosso Lakers vs Celtics original do Mega Drive ^_^

    Rapaz, veja esse vídeo review do Truxton, olha a piada que o cara faz logo no início, é a cara desse post (não é exatamente sobre tutorial, mas sobre não poder ligar e jogar logo…) http://implantgames.com/?p=1190

    • Sim, eu nunca vi este NBA, vou até atrás para ter logo abuso de cara deste jogo. De toda forma, particularmente, como eu disse acima, prefiro que o tutorial esteja embutido num jogo em forma de gameplay, assim se aprende e não se abusa do jogo.

      Agora se querem colocar e jogar tudo na nossa cara, que façam isto pulável!

      E, poxa, eu não quero ser tratado como idiota! XD

  7. Hoje as coisas são mais dificeis nos jogos e muito mais complexas, mas se antigamente não tínhamos tutoriais, tínhamos as revistas com os seus detonados.

    Eu mesmo virei os 3 primeiros resident evils e o silent hill com a ajuda de revistas. Elas também eram compania obrigatória quando eu ia jogar mortal kombat, principalmente na hora de fazer os fatalities.

  8. Mas também já me deparei com vários jogos de Mega Drive onde eu não sabia o que fazer. Ou um botão parecia inútil (por exemplo, se houvesse um botão “usar item” mas o jogo começasse sem nenhum item), ou uma plataforma inalcançável, ou tinha um menu no “pause” com comandos extras que eu não sabia como usar, ou nem percebia que estava lá e era essencial para continuar. Ou às vezes o próprio conceito do jogo não ficava claro!

    Indo mais para o passado ainda, tinha os jogos de Atari. Alguns deles, mais complexos, **exigiam** que você lesse o manual, senão o jogo não fazia sentido nenhum. E também não havia tecnologia/memória no Atari para inserir qualquer coisa que não fosse essencial, então as instruções iam para o manual e o jogo era só o jogo mesmo. Por isso, eu acho que a própria evolução da tecnologia levou as instruções para dentro do jogo. Lembrando que na Nintendo, já durante a geração 16 bits, tinha algumas instruções, em Super Mario World e Star Fox, se não me falha a memória.

  9. Como era bom a gente pegarmos um jogo na locadora,e poder se debulhar para poder entender o jogo, para poder jogarmos até zerarmos. A facilidade impôs menos raciocínio ao jogador, isso denegrindo nossos pensamentos em outras áreas, onde podemos usar a criatividade. Tenho pena dos meus priminhos que só sabem do PS2, e que não conseguem jogar jogos de Super Nintendo e de Mega Drive. Até meus primos mais velhos que jogavam comigo Mega e Snes, hoje apanham quando jogam nesses consoles.

  10. acho que realmente os jogos atuais estão mais complexos!!! porém os novos jogadores acostumaram a isto!!! enquanto nós old gamers continuamos gostando do classico pq funciona e sempre funcionou!!! XD

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