Por que o Mega Drive precisava de Addons mesmo?

Esta é uma pergunta certa num momento onde o futuro nos mostrou a quão errada estava a SEGA em tentar colocar aparelhos de sobrevida no Mega Drive.

Nascimento do Mega Drive

Que o SEGA 32X foi um fracasso todo mundo sabe, que o SEGA CD falhou na sua proposta, todo mundo sabe. O que mais gente sabe é que a SEGA errou nestas decisões e que, depois do Saturno, as sementes destas escolhas deram frutos e estes foram a derrocada da SEGA como empresa produtora de consoles caseiros.

O Mega Drive foi o 1º console de 16bits lançado no mercado de games em 1988 e tinha uma proposta indecente por parte da SEGA que era nós jogadores termos a devida experiência dos arcades dentro de casa e, para tanto, seria necessário criar um console com uma capacidade aproximada das placas de arcade da época e, assim, nasceu o Mega Drive.

O Mega nasceu daqui.

Um pouco menos poderoso que a System 16, o Mega Drive trouxe uma experiência e tanto para o jogador e pode competir de frente, ou melhor, acima do NES, console de 8bits da Nintendo, que era o console dominante na época. A SEGA bem que tentou brigar com este pequeno notável, mas tudo o que conseguiu foram nichos de jogadores aqui no Brasil, Estados Unidos e um relativo sucesso na Europa.

E este improvável concorrente do NES foi o Master System que, tristemente, teve muitos problemas para conseguir apoio de outras empresas devido ao cruel pacto entre a Nintendo e as softhouses que proibia estas de produzirem jogos para outros sistemas concorrentes do NES e foi a partir daí que a guerra SEGA x Nintendo teve inicio, mas isto é assunto para outro post.

Então o Mega Drive ficou sendo o rei da cocada preta por um bom tempo, pois a Nintendo só tinha a oferecer os seus joguinhos em 8bits e eles, de certa forma, não chamavam mais a atenção dos gamers daquela época. Desta forma, o Mega Drive veio a se tornar a menina dos olhos de muitas softhouses sequiosas em vender os seus games, sejam eles bons ou ruins.

O Cavaleiro Branco chega.

A coisa estava ótima para o Mega Drive em todos os mercados de games do mundo. Vendia bem no Japão, teve uma ótima penetração na Europa e dominava nos EUA que foi lançado por lá com o nome de Genesis – nome que, diga-se, tinha um certo apelo marketeiro. Tudo parecia correr as mil maravilhas até que a Nintendo lançou o Super Nintendo e, a partir daí, as coisas começaram a sair do eixo.

Mais cores na tela, som digital e Mode 7... Ele veio para quebrar as pernas do querido Mega.

O console da Nintendo vinha com várias novidades que no Mega não puderam ser implementadas na época porque seria muito caro e, consequentemente, foram cortadas. As muitas cores que tinhamos na System 16 foram reduzidas a uma paleta de 512, sendo que somente 64 delas simultaneas, enquanto que o SNES poderia trabalhar com 256 cores simultaneas em tela, quer dizer o quadruplo de cores e imagens “realisticas” para os gamers. Tinha o Mode 7, uma espécie de Zoom e movimento de imagens que permitia um certo sentimento de profundidade em alguns jogos do sistema. Dentre outras novidades, fez com que o Mega Drive fosse passado um pouco para trás.

Mas, ainda assim, a SEGA não desistiu e começou o seu marketing agressivo e teve, assim, inicio a melhor era dos videogames, a Guerra dos Consoles (Console Wars).

Mega CD, o inicio do fim.

Os jogos ficavam cada vez melhores. Gráficos cada vez mais nítidos e ports onde cada console tinha a sua vantagem e desvantagem. Com isso, a Console Wars, foi tomando uma forma tão potente e abrangente que temos sequelas dos atos das duas empresas até hoje. E uma destas decisões foi a criação do MEGA-CD.

Não tenho nada contra o Addon em si. Ele, para época, era bem potente e prometia muitas coisas boas para o Mega Drive. Mais canais de som, efeitos de Zoom e Mode 7 e uma capacidade de armazenamento muito superior aos cartuchos da época, mas vinha com um pequeno problema, só tinha a sua disposição as 64 cores simultaneas que o Mega Drive oferecia. Fica aqui a primeira pergunta, porque diabos criar um ADDon que dava muitas capacidades que o MD não possuia e o deixava apenas com a sua limitada paleta de cores? Por que não programar mais cores para o console e o ADD? Pelo menos 256 cores simultaneas para que, assim, a granulação dos vídeos não fossem tão evidentes.

Cumpria o que vendia, mas vendia caro essas promessas.

Depois do pequeno reclame, é fato que a SEGA queria concorrer com o Super Nintendo de alguma forma, pois este nos trazia uma quantidade quase inexorável de jogos com gráficos lindos e resultados exuberantes, sem contar que o SNES se especializou em ter vários RPG’s, chamando a atenção do público japones. O Mega-CD já veio com um defeito logo de cara, a aposta da SEGA em games baseados em vídeos, onde a jogabilidade era muito limitada e, também, o preço do Addon, que, à época, foi vendido a preços abusivos, mas, ainda assim, achou compradores.

E o Super Nintendo continuava a vender sem problemas.

Super-FX, o pesadelo da SEGA.

O Super-FX, como muitos retrogamers sabem, foi um chip de melhoramento gráfico produzido pela Argonaut Games que ajudava o Super Nintendo a processar poligonos em tela e/ou melhorar graficamente um jogo. Dois exemplos famosos que temos são os games Star Fox e Yoshi Island, que mostraram a capacidade do Super FX de manipular, de maneira soberba, os mais diferentes ambientes.

O Cão mordedor da Nintendo

Desta forma, tinhamos com jogos com ainda mais efeitos em Tela no Super Nintendo e avançando um passo a frente dos jogos que o Mega Drive conseguia produzir em tela. E o que seria do Mega agora? A SEGA iria investir, também, nos chips especiais para melhorar graficamente os seus jogos? Ou será que estava na hora de mudar de plataforma? Enquanto a SEGA parecia estar num impasse, outras empresas produziam os seus próprios chips, como a Capcom, que criou o CX4 ou o SA-1, produzido para ajudar também o console.

Todos esperavam que a SEGA não se fizesse de cega e, assim, viesse a investir em chips de melhoramento. Claro que, algum tempo depois, a SEGA assim o fez, tardiamente, com o SVP e seu único título, o Virtua Racing. Tarde demais, para um console que já estava ficando moribundo.

E o que nos é criado? Sim, o magnifico, o maravilhoso…

O Cerebro Artificial do Mega chegou, aqui está o 32X!

O magnanimo, magnifico, estupendo, 32X.

Sim, caros amigos, para que criar chips de melhoramento gráfico se podemos criar uma plataforma nova, ou, melhor ainda, um ADDon novo para uma plataforma antiga, e vender a preço de ouro? E por que não cumprir algumas promessas feitas no ADDon anterior recriando alguns jogos para o novo e fazendo os compradores comprarem novamente os mesmos velhos jogos inúteis?

Vejam com o Mega já estava triste com esse trabalho em cima dele!

Não sei se estas formas as palavras de algum designer de hardware da SEGA, mas, aposto, que isto passou na mente de muitos naquele exato momento. O custo de produção do Addon não seria tão caro para a época e o mesmo poderia ser vencido caramente. E com um plus importante, agora o jogador poderia entrar no Universo 32bits sem perder o seu antigo console de 16bits. Way to go SEGA!

As melhorias até que vieram, gráficos mais exuberantes, cores mais vivas – trabalhando com 32 mil simultaneas – e poligonos!!! Claro, o Mega Drive já trabalha com poligonos sem auxilio de chip de melhoramento, mas agora poderia trabalhar com 50.000 poligonos de uma só vez. Vejam só que maravilha!

Mas veio um porém… o addon dependia da resolução de tela do Mega Drive e, pior, dependia do sistema de som do mesmo. E o que precisamos para ter um bom “console” em mãos? O Addon MEGA-CD e o 32X para que a experiência fosse completa, mas o custo disto equivalia, praticamente, a três consoles Mega Drive, sem contar que se fazia necessário comprar os cartuchos e CD’s destes ADDons para que tivessemos uma biblioteca “extensa”!

E o que matou toda essa marmota da SEGA? Sim, caros amigos, o Sega Saturno. E aí vem o consumidor e fica com a cara na bunda e pergunta: PORRA SEGA, VOCÊ ME FEZ PAGAR CENTENAS DE DOLARES PARA LANÇAR UM OUTRO CONSOLE?

Então pergunto, para que o Mega Drive precisava de ADDons mesmo?

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10 comentários em “Por que o Mega Drive precisava de Addons mesmo?

  1. Se a SEGA não tivesse feito tudo isso e criado o Mega Drive 2, talvez hoje nós tivéssemos um console da SEGA hoje em dia e um bom jogo so Sonic.

  2. Além de todos os problemas citados no texto, tem uma coisa que eu sempre digo, acessórios e addons não vendem consoles. Não adianta, porque você fica naquela que nem todo mundo tem o treco então continua tendo que focar no básico (vide hoje PSMove e Kinect). A Sega desesperou com a Nintendo abocanhando parte do mercado, se tivesse focado mais em jogos (e nos chips como fez a concorrente) poderia até não ter ganho a “guerra”, mas teria terminado de forma muito melhor. Tanto que o sentimento dentro da empresa após o Mega era de parar mesmo, Saturno e Dreamcast foram feitos na mais pura insistência.

  3. Lembro na época que esses add-ons custavam mais caros que o próprio Mega. Só o 32X custava 400 reais em 1994.

  4. E eu que sonhava em ter esses Addons Daniel hahahaha… Graças a Deus eu não tinha condições financeiras na época pra comprar e nem meus pais me deram ouvidos quando abri a boca pra pedir kkkk… Mas realmente foi triste mesmo ver todas essas tentativas frustradas de fazer um upgrade no Mega Drive irem por água abaixo, mas de todo o caos eu ainda fico com o “primeiro fracasso”. O Sega CD que pelo menos tem bons títulos e cheguei a jogar alguns numa locadora onde morava.
    Mas aí vem a pergunta, que pra mim nunca calou Dan; Se a Sega queria pelo menos empatar na “Console Wars”, por que não lançar um novo modelo de Mega Drive? Um Mega Drive 3 (já que o MD3 aqui da TecToy não conta, pois se trata do MD2 nos EUA) Mas poderiam ter criado um console melhorado com um sistema de cores maior, mais canais de sons, suporte a graficos 3D e se possível já com um drive de CD imbutido. Acredito eu que talvez assim, esse tivesse durado mais uns aninhos.

    Mas isso é apenas a opinião de um mero mortal hehehe.

  5. O triste foi pq a SEGA, não teve mais direcionamento, quando perdeu partes das vendas do Mega, isso influenciou no lançamento ruim do Saturno e do Dreamcast, se eles esperassem mais tempo para lançarem esses consoles, acho que teriam melhor sorte nessa batalha de hardhouses!!!

  6. Uma coisa bizarra que eu li por aí, foi que as desenvolvedoras receberam o kit de desenvolvimento para 32X e para o Saturn ao mesmo tempo. Ou seja, elas poderiam escolher para qual dos dois desenvolver. Claro que a maioria preferiu ir para o Saturn, e o 32X ficou com uma quantidade minúscula de jogos na sua curta vida.

  7. Complementando: era pior do que eu pensava. No Japão, o próprio 32X foi lançado alguns dias depois do Saturn, segundo a Wikipédia. Nos outros lugares o 32X ainda teve uma vantagem de uns poucos meses, antes de ter a concorrência do seu “irmão”…

  8. Para mim o 32x deveria ser um addon do Saturn, pois aí suportaria jogos em cartucho 2d de excellente qualidade, enquanto que o CD serveria para abrigar mais de 80% dos jogos em 3D. Sendo isso uma excellente estratégia de marketing, pena que a SEGA não fez isso!!

  9. Interessante mesmo isso q vc falou istemthebronx sóq ue poderia ser um add on no saturn porém que te permitia jogar jogos de Mega Drive, mega CD e 32X no próprio saturn, ai sim seria foda, pq teria toda a retrocompatibilidade, alémd e ser um console completamente novo e com capacidades bem maiores…

    • Exatamente xD MAX, esse seria um excellente investimento para o Sega Saturn, com isso ele poderia ser lançado em 1995, um ano depois do lançamento do Playstation, e com isso, mesmo sendo lançado depois, já viria com esses atrativos do 32x e cartuchos de Mega Drive compatíveis com o Saturn pela entrada de cartuchos, compatibilidade com os CD’s do Sega CD, e jogos ambientados totalmente em 3D. Assim dando um banho no Playstation 1. Basicamente isso!! Pena que os donos da SEGA, foram CEGOS mesmo!!

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