O novo Boom gamer no Brasil?

Jogos sendo dublados e traduzidos para o português brasileiro, empresas querendo criar escritórios no Brasil, fabricação oficial dos consoles de mesa em termos nacionais, a briga constante por preços justos para com os games… Parece que, finalmente, a indústria gamer abriu os olhos para o nosso país e coisas boas estão por vir, será que sairemos desta sombra de sermos um mercado marginalizado depois da 1ª Onda Gamer?

Momentos históricos

Fato, a indústria brasileira de games pode ser dividida em duas fases, a primeira, durante o tempo que a Tectoy era o grande nome que representava a SEGA e, depois, quando a mesma foi deixada para segundo plano. Neste interim, tinhamos a playtronic/Gradiente que representava a Nintendo e isto representava muito para os gamers brasileiros que tinha um bom suporte das duas grandes japonesas, mesmo que, por vezes, indiretamente.

Alguns vão perguntar o que era a playtronic, então vai aqui o que tem no wikipedia.

Playtronic foi uma empresa e fábrica de brinquedos brasileira criada em 1993 entre a Gradiente e a Estrela, para representar a Nintendo oficialmente no Brasil.

A idéia de inserir oficialmente a Nintendo no Brasil partiu tanto da Gradiente/Estrela quanto da Nintendo. Por um lado, a Gradiente/Estrela poderia expandir seus negócios com a Playtronic, por outro, a Nintendo estaria oficialmente representada no Brasil.

Num país como este, as vendas de consoles/cartuchos de video-game eram consideradas bem altas. No ano de 1991, o Brasil chegou a movimentar cerca de 100 milhões de dólares com a indústria do video-game. Visto que o mercado só tendia a crescer, a oficialização da Nintendo no Brasil não era, de forma alguma, uma má idéia.

De 1993 a 1996, a Playtronic colocou no mercado o NES, o portátil Game Boy, o SNES, o Virtual Boy e o Nintendo 64.

Após a saída da playtronic e a derrocada da Tectoy, tivemos entre o período de 2000 até meados de 2010, um grande vácuo industrial. O suporte para o consumidor brasileiro era, e ainda o é, capenga e os preços dos jogos vieram a se tornar a altura. Você ainda quer um console desta geração? Então prepare bem o bolso por causa dos jogos que beiram ao absurdo do impossível em seus preços. Neste meio tempo o gamer brasileiro foi obrigado a importar o jogo ou comprá-los em camelos em forma de discos genéricos, o que dera uma má impressão para as grandes da indústria de games a respeito do Brasil como mercado consumidor.

Santa Pirataria mãe de Deus!

Sim, apesar da pirataria ter possibilitado que milhares de gamers tivesse acesso aos jogos mais quentes que eram lançados nos EUA e no Japão, foi por causa dela que acabamos não tendo quase nenhuma representatividade nos anos seguintes dos de 1995, onde começou o boom da pirataria. De lá para cá, a quantidade de lançamentos feitos oficialmente pela TecToy e pela Playtronic cairam assustadoramente, sem contar que os preços dos jogos e consoles aumentavam consideralmente por causa do dolar – outro problema endemico no Brasil, quando os produtos eram tão somente importados – e a motivação para comprar os jogos originais foi caindo cada vez mais e, com consequência ainda maior, as produtoras acabavam ficando cada vez mais desmotivadas em investir nacionalmente.

Esta mesma pirataria que possibilitou o reinado do PSX e do PS2 no Brasil, acabou espantando, muito a Nintendo e a Microsoft em investir nacionalmente e, então, tivemos o nosso momento de treva absoluta. Não tinhamos ninguém para nos representar e aqueles que queriam comprar os jogos deveriam esperar a importação ou comprar em lojas especializadas a preços absurdos e, foi a partir deste momento, que os nossos problemas começaram.

Vamos a lista de Natal!

Observem os jogos que estão do lado direito deste post. São jogos do Nintendo GameCube, que na sua época, não tinha representação oficial no país. Se alguém entrasse numa loja e fosse comprá-los quando dos seus lançamentos, quanto é que os mesmos valiam? Não menos que 150 a 250 reais! Aquela lista de Natal que você fazia para comprar um ou outro jogo, a cada ano que passava, na idade das trevas dos gamers brasileiros, diminuia cada vez mais pela fórmula maldita salário baixo + tributos altos = preços fora de questão.

E o que poderíamos fazer? Pelo menos um jovem assalariado viciado em games só poderia ficar olhando para a caixa, sequioso por querer comprar o jogo e deixá-lo lá – já seria uma vitória alguém ter um GameCube pelo preço que ele era praticado no país – e somente nos seus sonhos poder usufruir do game que não era seu. Creio que este foi um momento de frustração para muitos gamers aqui no Brasil. E quantas crianças não puderam ter os seus jogos porque os pais não podiam comprar este ou aquele game?

Por que o novo boom?

Tivemos a noticia, recente, que o 3DS teve uma baixa real de preço aqui no Brasil, para 799 reais. Jogos do PS3 começaram a ser prensados no Brasil, assim como o lançamento da PSN no Brasil. O World of WarCraft ganhando tradução para o português, assim como conteúdo. A Square-enix poderá abrir uma filial no Brasil. A Ubisoft investindo em jogos clássicos no Brasil. O 360 pode ser vendido por até 600 reais no final do ano aqui Brasil.

Quer dizer, vemos por parte das grandes empresas, um olhar menos crítico ao nosso país, pois, como se sabe, grande parte dos gamers estão dispostos a comprar jogos originais se os mesmos forem acessíveis e condizentes a realidade brasileira. Eu, por exemplo, só compro jogo de PC via Steam, pago em dólar, mas compensa de sobre maneira a minha vontade de ter jogos originais. Se, por ventura, a Steam vier ao Brasil, eu espero que a politica de preços deles mude para o Real, mas que fiquem na real.

É uma boa hora para a Sony, Microsoft e a Nintendo, assim como as lojas especuladoras de preços, verem que a melhor forma de vender um jogo é ter preços bem baixos em torno de 59,90 e 99,00 nos lançamentos, como acontece nos jogos de PCs, e em torno de 9,90 até 59,90 quando já são jogos clássicos.

Nós, os gamers, agradeceremos se este novo BOOM gamer brasileiro, venha acompanhado com uma baixa real de preços. E, assim, voltamos aos tempos dourados quando a briga entre a Nintendo x SEGA se resumia na batalha para quem chegava aos consumidores brasileiros entre a Playtronic e a TecToy… bons tempos da velha guerra Mega Drive x Super Nintendo.

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2 comentários em “O novo Boom gamer no Brasil?

  1. Uma boa hora pro governo resolver diminuir os impostos sobre os games. Tenho um ps3 e mesmo os precos dos jogos estarem caindo, ainda prefiro comprar de fora ou pedir pra alguem trazer pra mim.. mas nao escondo a satisfacao em saber q teremos uma PSN brasileira e que poderemos comprar conteudo online em reais

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